quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ah! Bruta flor do querer!

A dúvida, do querer e sem querer mais.

Ouvir Maricotinha (OTIMO!DVD de Bethânia.) hoje me fez ter estas recordações. Quando ela canta O QUERERES imediatamente fica na mente trechos como: o onde queres o livre, decassílabo, onde buscas o anjo, sou mulher… Ah! Bruta flor do querer!

Queremos tanto, exigimos demais, ainda vivendo a antiga busca da felicidade, do estado de espírito ou de algo que te traga a tida felicidade abstrata (aquela segundo o filosofo, dá-se por qualquer coisa externa, que vem e passa)a incansável busca do bem está intenso,frenético e duradouro, audaciosamente descrito por nós como FELICIDADE ETERNA(ilusão). O querer é fundamental no momento “FELIZ”, sendo que como costumo dizer que o principio da felicidade começa(a redundância necessária) por está ciente das coisas que a gente não quer. . . Querer não mais querer.

Precisou o tempo passar, as lágrimas lavarem a alma, insucessos ocorrerem, surgir consciência que insucessos ainda vão ocorrer e, no meu caso até mesmo aprender a lidar com a presença marcante de alguns amigos-super-egos no meu inconsciente. Libertar-me. Demorou… mas aconteceu.
Acrescentar-me, eu diria, querer um pouco mais de mim mesma, SOMAR, não só apenas acumular conhecimento, mas usufruir deles. Foi um processo e não dá para precisar a exata hora em que cada paradigma caiu, em que cada revolta nasceu, em que cada fogo apagou. E a hora em que eu me descobri.
Total certeza do quem eu sou, não tenho. Ainda sou muito jovem para completa conceituação, vou me descobrindo aos poucos, acho que querendo um pouco mais algumas coisas e um pouco menos outras.Sendo que ainda algumas vezes me encontro perdida no embate entre o-que-eu-sou, o-que-eu-penso-que-quero-ser não deixando de lado o-que-minha-mãe-quer-que-eu-seja.
Por enquanto vou sendo eu mesma, tentando aqui transformar a vida em palavras,e as vezes saboriando as lembranças de momentos unicos e nóstalgicos de uma tida FELICIDADE.Buscando até mesmo novas ilusões frenéticas para acalentar a alma de sorrisos.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.” Se somos tantas Pessoa’s em nós…

Maria Fifi.
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Sou Eu
Álvaro de Campos
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, Espécie de acessório ou sobressalente próprio, Arredores irregulares da minha emoção sincera, Sou eu aqui em mim, sou eu.
[...] E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente, Como de um sonho formado sobre realidades mistas, De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico, Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
[...]
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado, O emissário sem carta nem credenciais, O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro, A quem tinem as campainhas da cabeça Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! …



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O QUERERES .
(Maria Bethânia)
Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão

Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico,burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco,garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito
e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo
e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói
e onde queres tortura,mansidão
Onde queres o lar, revolução
e onde queres bandido eu sou o herói

Eu queria querer-te e amar o amor
construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação
tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
e vê só que cilada o amor me armou

E te quero e não queres como sou
não te quero e não queres como és

Onde queres comício, flipper vídeo
e onde queres romance, rock'nroll
Onde queres a lua eu sou o sol
onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz

Onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
e onde queres coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer
que há e do que não há em mim .

Um comentário:

MAO // disse...

Oi,

O poema é meu sim. Foi inspirado n'O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel Garcia Marques.

Obrigado pela visita

Beijos bons